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Encontro promovido pelo grupo Meninas de Sinhá alcança um público de 2,4 mil espectadores pela internet

Durante todo o mês de setembro, as atividades incluíram, sobretudo, o público 60+

O Encontro Longeviver 2021 finalizou, dia 28 de setembro, deixando uma mensagem de esperança e trazendo muitos aprendizados, principalmente para o público 60+. O tema central deste ano, “Acessibilidades e inclusão digital para viver melhor“, esteve presente em todas as atividades, comprovando e mostrando que o espaço digital pode e deve ser um espaço democrático e acessível a todas as pessoas, sem limite de idade. Nesse mês de setembro, o canal do YouTube das Meninas de Sinhá atingiu a marca de 5,4 mil visualizações, alcançando 2,4 mil espectadores únicos durante o Encontro Longeviver.

Patrícia Lacerda, coordenadora geral do grupo Meninas de Sinhá, acredita que o Encontro mostrou o quanto é importante valorizar e cuidar do futuro, “pois ele se inicia em cada amanhecer. Buscarmos envelhecer da melhor maneira possível é construirmos um futuro para todos, então, mãos à obra! Vivamos da melhor maneira possível”, afirma.

A programação contou com 19 vídeos das integrantes das Meninas de Sinhá, além de oficina de customização, palestras, ginástica, música e muito bate-papo descontraído. Todas as atividades foram gratuitas e os participantes puderam baixar o próprio certificado nas lives ao vivo.

Maria da Conceição Paulo, conhecida como Pretinha, é uma das integrantes do grupo Meninas de Sinhá e teve sua história contada em um vídeo disponível no canal do YouTube

Cantoria e descontração

No dia 4 de setembro, o Longeviver 2021 estreou com o cantor e o violeiro Wilson Dias, que demonstrou todo seu talento com a música regional. A apresentação foi um deleite para os amantes da cultura popular, que puderam ouvir belíssimas canções e aprender um pouco com as histórias contadas pelo artista. “Quando se quer ensinar qualquer coisa para alguém, primeiro tem que ter exemplo. O que ensina é exemplo”, reflete.

Cantador e Violeiro Wilson Dias na apresentação de abertura do Encontro Longeviver 2021

Nessa primeira semana, o público conversou com a Cláudia Alves, criadora do canal “O bom de Alzheimer”. Ela contou um pouco sobre como é o convívio com a mãe, diagnosticada há 11 anos com a doença, como essa realidade impacta na vida das famílias e também deu dicas de como cuidar das pessoas que são diagnosticadas com Alzheimer. “O que não se esquece são as emoções. A pessoa pode estar vegetando, mas ela tem tanto sentimento quanto qualquer outra”, ensina.

As donas da marca de moda Decustume, Irene e Vitória Cavalieri, deram um show de criatividade e colocaram a turma para costurar. Mãe e filha apresentaram uma oficina de customização de roupas, mostrando que é possível reconstruir várias peças com glamour e de forma sustentável.

“Deus não escolhe os capacitados, Deus capacita os escolhidos”
Cláudia Alves

Culinária e poesia

Uma conversa saborosa e cheia de boas memórias. Foi um encontro simplesmente delicioso com Patrícia Brito no dia 15 de setembro. Além de acompanhar a Patrícia preparando uma receita na hora, o público também teve a oportunidade de trocar experiências, relembrando a memória gustativa que cada um traz em suas raízes. “Eu vou costurando as memórias e entendendo de onde a pessoa vem e o que traz com ela”, explica a cozinheira e pesquisadora alimentar.

“O bom alimento é um remédio, ele cura!”
Patrícia Brito

Um dos momentos mais esperados do Longeviver 2021 foi o encontro das Meninas de Sinhá, representadas por Pretinha e Seninha, com a escritora Conceição Evaristo e o médico Alexandre Kalache. Anfitriãs e convidados compartilharam histórias e poemas para longeviver melhor. A conversa interligou vivências e memórias que são fontes para histórias importantes de serem contadas e também registradas como prosa e poesia. A vida que vibra após os 60 anos e todas as realizações que podemos alcançar nessa fase da vida, as questões de raça e classe e as memórias geográficas de uma Belo Horizonte de décadas passadas foram temas desse bate-papo. “Velhice não é doença. A velhice é uma etapa da vida como todas as outras”, ressaltou Kalache.

“Se o povo negro não tivesse essa vocação para a felicidade, essa persistência para sobreviver, para vencer todas as dificuldades, as primeiras pessoas escravizadas teriam morrido. Aliás, nem chegariam aqui no Brasil”
Conceição Evaristo

A força feminina e a importância da atividade física

As Mulheres do Jequitinhonha se uniram às Meninas de Sinhá para discutir “A Força Ancestral Feminina”. Representantes dos grupos Caboclo Surubim, Tecelãs do Tocoios e Bordadeiras do Curtume contaram histórias e compartilharam diversas cantigas em um encontro envolvente. A coordenadora do projeto Mulheres do Jequitinhonha, da associação Tingui, Viviane Fortes, reafirmou o quanto é importante essa coletividade: “Nosso projeto busca trazer um espelho bem grande para essas mulheres se verem o tanto que elas são maravilhosas, o tanto que elas são fortes, sábias e o tanto que o mundo precisa delas porque elas são muito conectadas com a essência, com a ancestralidade”.

Maria Emília, do grupo Tecelãs do Tocoios, além de ensinar ao público sobre o trabalho com a terra e o artesanato, também aproveitou o Encontro Longeviver 2021. “Eu estou muito satisfeita em estar participando dessa live aqui, de estar conhecendo o trabalho de outras pessoas, de outros grupos também. Isso é muito gratificante!”, avaliou.

“A gente trabalha com carinho, com a terra, com as árvores. A gente sabe como tirar as cascas para não prejudicar as plantações. É muito bacana o nosso trabalho e a gente trabalha com alegria”
Maria Emília (Tecelãs de Tocoios)

Para não deixar o público somente na frente da tela sentado o tempo todo, Aurélio Alfieri colocou todo mundo para se exercitar. O profissional ensinou alguns alongamentos, deu dicas para escolher um bom tênis e falou sobre a influência dos seus avós durante a sua vida. “Meus avós me ensinaram que a gente precisa aprender coisas novas o tempo inteiro, independente da idade”, relembrou.

“A minha ideia é que os exercícios sejam acessíveis financeiramente, eficientes e que sejam inclusivos”
Aurélio Alfieri

Joaci Ornelas, cantor, compositor e violeiro, fechou o Encontro no dia 28 de setembro. O artista contou como foi o seu contato com o instrumento e cantou várias músicas autorais que encantaram o público. Além disso, ele também falou sobre a sua relação com o grupo Meninas de Sinhá e ressaltou que “a vivência é uma forma de transmissão de conhecimento.”

Violeiro e cantador Joaci Ornelas durante a apresentação de encerramento Encontro Longeviver 2021

A aposentada de 72 anos, Maria Aparecida Lage, participou de quase todas as atividades do Encontro Longeviver 2021. Ela não saberia destacar qual ela gostou mais, mas de uma coisa ela tem certeza: “Eu gostei de todas que assisti, a abertura com o cantor Wilson Dias, a história da Conceição, filha da empregada, foram muitos ensinamentos para ter uma vida saudável na velhice. Vocês me fizeram lembrar da minha vida no interior, comendo comida de porco (risos), mas tudo saudável. Aprendi também que as pessoas da roça são simples, mas de muita sabedoria. Tudo nos mostrou que é na simplicidade que se torna tudo mais lindo. Não posso esquecer do Aurélio, que me respondeu lindamente, e da Patrícia, que leu a minha pergunta quando pedi pelo amor de Deus para me falar sobre o modo de fazer a carne de panela (risos)”.

“Agradecemos aos nossos convidados, Wilson Dias, Cláudia Alves, Decustume, Patrícia Brito, Alexandre Kalache, Conceição Evaristo, Mulheres do Jequitinhonha, Aurélio Alfieri, Joaci Ornelas e, claro, as Meninas de Sinhá, que possibilitaram conhecimentos importantes para todos nós!”

Patrícia Lacerda

Todo o conteúdo do Encontro Longeviver 2021 pode ser revisto no canal do YouTube das Meninas de Sinhá: youtube.com/Meninasdesinha   

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